Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica

Rua Luis de Camões 68, Praça Tiradentes - Rio de Janeiro

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Projeto Hélio Oiticica

Hélio Oiticica (1937 - 1980) é um dos artistas mais importantes da história da arte brasileira. Realizou trabalhos envolvendo pintura, escultura, objetos, instalações, performance e escrita. Participa do Grupo Frente (1955) e do Grupo Neoconcreto (1959), com artistas como Ivan Serpa, Lygia Clark, Lygia Pape e o poeta Ferreira Gullar. Em 1964, começa a produzir os Parangolés. Vestindo estes, Hélio e seus amigos são impedidos de entrar na abertura da exposição Opinião 65 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, realizando uma manifestação do lado de fora do museu. Em 1967, escreve o texto célebre Esquema geral da nova objetividade e cria o ambiente Tropicália que inspira o movimento artístico homônimo que se inicia a partir de então na música com Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa e os Mutantes, com o Cinema Novo de Glauber Rocha e no teatro com José Celso. Vive em Nova York na maior parte da década de 1970, período no qual é bolsista da Fundação Guggenheim e participa da mostra Information em 1970, no Museum of Modern Art - MoMA. Retorna ao Brasil em 1978 e falece em 1981. Sua obra é marcada pela divisão entre os trabalhos bidimensionais anteriores ao Neoconcretismo como os Metaesquemas e os trabalhos que experimentam o espaço a parte das categorias tradicionais de arte como os Relevos Espaciais, Bólides, Capas, Estandartes e Penetráveis.

Após seu falecimento, nasce o Projeto Hélio Oiticica, destinado a preservar, analisar e divulgar sua obra, dirigido por Lygia Pape, Luciano Figueiredo e Waly Salomão. Entre 1992 e 1997, realiza grande retrospectiva da obra do artista nas cidades de Roterdã, Paris, Barcelona, Lisboa, Mineápolis e Rio de Janeiro, inaugurando o Centro de Arte Hélio Oiticica em 1996. A retrospectiva foi fundamental para a visibilidade do artista internacionalmente.

Nasce o Centro de Arte Hélio Oiticica

A importância do acervo do artista Hélio Oiticica, a demanda do Projeto HO por uma sede e a vocação ainda desconhecida pela Prefeitura sobre o prédio que passava por reforma proporcionam o convênio entre a Prefeitura e o Projeto HO em que o acervo seria abrigado no prédio mediante a sua permanente disponibilização para acesso do público. O CAHO passou a realizar exposições não apenas do artista, mas de outros importantes nomes da arte contemporânea brasileira e internacional. Sua atuação com o passar do tempo foi sendo deslocada para a atuação de jovens artistas, além do permanente envolvimento com a universidade disponibilizando cursos, palestras e seminários em torno da contemporaneidade.

Em 2009, o convênio da Prefeitura com o Projeto HO é encerrado e o acervo do artista, que vinha sendo retirado desde 2001, é deslocado por completo para a nova sede no Jardim Botânico, bairro da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Em outubro deste mesmo ano na nova sede, o acervo sofre um incêndio que atinge não apenas obras de Hélio Oiticica, mas também de seu pai José Oiticica Filho, seu irmão Cesar Oiticica e de Andreas Valentim. O projeto de restauro já alcançou 75% das obras que sobreviveram às chamas e pode ser conferido através do livro Hélio Oiticica: o restauro da obra de Cesar Oiticica Filho (Azougue Editorial, 2015).

Arquitetura e relação com a Praça Tiradentes

O prédio foi criado para abrigar o Conservatório de Música - hoje Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - cujas obras foram iniciadas em 1863 e a inauguração data de 1872. Paralelamente, abrigou também o Conservatório Dramático Brasileiro. O edifício integra um conjunto arquitetônico cultural iniciado a partir da transferência da família real portuguesa para a então colônia em 1808, gerando uma série de instituições a satisfazer demandas de educação, arte e cultura da época. Parte destas localizam-se nos arredores da Praça Tiradentes, alterando as configurações do Centro da cidade do Rio de Janeiro, são eles: Academia Real de Ciências, Artes e Ofícios (hoje Escola de Belas Artes da UFRJ), Real Gabinete Português de Leitura e o Real Theatro de São João (hoje Teatro João Caetano). Até esse momento a Praça Tiradentes era um local periférico e marginal, sendo o fim do Centro considerado anteriormente, na Rua Uruguaiana. A chegada da família real e sua corte aumenta a população da cidade em 30%, o que provoca muitas desapropriações de imóveis e ampliação do perímetro para edificação de outros.

 

O prédio eclético do atual Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica possui feições neoclássicas, estilo que predominou sobre a arquitetura da cidade ao longo do século XIX, mas que hoje restam poucos exemplares. Em 1900, a construção foi ampliada, com a anexação de dois prédios, sob a orientação do arquiteto italiano Sante Bucciarelli. Possui aproximadamente 2000m², três andares, 8 galerias de exposição, 1 restaurante, 1 sala de pesquisa, 1 ateliê, 1 auditório que comporta até 100 pessoas e 1 sala multiuso. O prédio integra a área de preservação do Corredor Cultural pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (órgão municipal dedicado a preservação do patrimônio).

 

Em 1967, passou a abrigar  o Instituto de Matemática Pura e Aplicada da UFRJ, que se muda para sede própria em 1981. Passam 12 anos de abandono até 1993 quando inicia-se as obras de revitalização. Em 1987, a UFRJ e a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro firmam um convênio em que a Prefeitura cede o prédio da Escola Municipal que funcionava no mesmo terreno do Colégio de Aplicação da UFRJ, e a UFRJ cede o prédio da Rua Luis de Camões, n° 68 para a Prefeitura.

 

Na década de 1980, o Brasil vive progressivamente a movimentação pela abertura política, os anos que viveu sob a ditadura civil-militar de 1964 deixaram a economia em estado emergencial, o que se refletiu, por exemplo, no abandono do entorno da Praça Tiradentes. Com a abertura são inaugurados o Ministério da Cultura (1985) e a Secretaria Municipal de Cultura (1986), originando uma série de iniciativas para recuperação do Centro histórico: Praça XV, Arco do Teles e Candelária com a inauguração do Centro Cultural Banco do Brasil (1989); a Lapa e a rua do Lavradio com a Feira do Rio Antigo (1996) - mais conhecida como Feira do Lavradio - e a inauguração do Bar Semente (1998). Em 1982, está em vista o ato da criação do Corredor Cultural do Rio de Janeiro na Praça Tiradentes pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que pretende a reurbanização do Centro e, em especial, da Praça.

 

As obras revitalização do prédio do CMAHO em 1993 ainda não tinham o fim específico de uso do edifício, mas se pretendia que catalizasse a revitalização do polo cultural. Em 1995, o projeto Monumenta inicia sua intervenção da região da Praça e em 1996 o Centro de Arte Hélio Oiticica é inaugurado.