CMAHO recebe novo ciclo de exposições em junho

Três grandes exposições ocupam as galerias do espaço


Um novo ciclo de grandes exposições vem chegando em Junho no #AgaÓ. Através de 3 grandes propostas, as exposições “Nome Próprio” de Sasha Huber, “Em posições de dança” de e “Sutur|ar Libert|ar” de Marcela Cantuária vão abrir o novo ciclo de exposições por aqui. Nome Próprio - Sasha Huber: Como os lugares ganham seus nomes? O que significa perpetuar um

personagem, associando seu nome a um espaço público? Que histórias e

silêncios tais gestos revelam?

Essas são algumas das perguntas que guiam o trabalho da artista suíço-

haitiana Sasha Huber há mais de uma década. As questões são também o

fio condutor da exposição “Nome Próprio” que ocupa o Centro Municipal

de Arte Hélio Oiticica.

O interesse da artista pelas políticas da memória se iniciou em 2007,

quando passou a integrar o comitê internacional Desmontando Louis

Agassiz, a convite de Hans Fässler. Agassiz (1807-1873) foi um cientista

suíço, autor de teorias que pautaram a segregação racial na segunda

metade do século 19. Embora duramente contestada, sua trajetória

científica segue perpetuando o nome de Agassiz em diversos espaços

públicos e formações geográficas ao redor do mundo. Entre esses

espaços, está o Monte Agassiz (Agassizhorn), nos Alpes suíços, a Praça

Agassiz, na região do Méier (Rio de Janeiro), e as Furnas de Agassiz, na

região de Itanhangá.

A ligação de Agassiz com o Brasil possui uma longa história. Já nos anos

1860, ele percorreu o Rio de Janeiro e a Amazônia com a Expedição

Thayer, fotografando homens e mulheres sob uma perspectiva

evolucionista.

Nos Estados Unidos, Agassiz realizou o mesmo tipo de registro para fins

supostamente científicos. Entre as imagens resultantes dessa empreitada,

está o retrato do congolês escravizado Renty. Hoje pertencente à coleção

do Museu Peabody de Harvard, a fotografia foi amplamente reproduzida e

é objeto de uma disputa judicial entre a prestigiosa universidade norte-

americana e os descendentes de Renty. Ora, “quem deveria resguardar as

imagens de pessoas escravizadas?”, pergunta a reportagem do jornal The

New York Times (20/03/2019).

Não é por acaso que Sasha Huber toma a imagem de Renty como foco de

uma de suas mais audazes performances, realizada em 2008. Na ocasião,

a artista subiu o Agassizhorn, a mais de 3 mil metros de altura, para

homenagear o personagem e sua história silenciada, renomeando o

monte como Rentyhorn.


Abertura dia 1º de junho das 12h às 18h

De 3 de junho a 27 de julho de 2019

Segunda à sábado, das 12h às 18h

Entrada gratuita

Endereço: Rua Luís de Camões, Praça Tiradentes, 68


“Sutur|ar Libert|ar” - Marcela Cantuária:


No decorrer de sua pesquisa, tanto teórica quanto em documentos históricos,

fotografias, manifestos e jornais, Marcela Cantuária recolhe referências que acionam as dicotomias capitalismo/socialismo e individualismo/coletividade. A exposição “sutur|ar libert|ar”, que reúne pinturas produzidas nos últimos três anos, guia-se por essas referências, com enfoque em outra tensão: a ruína e a transformação. A mostra tem entrada gratuita e pode ser vista entre os dias 3 de junho a 27 de julho de 2019, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica.

“Acredito que seja um momento muito especial para botar em cena alguns

espectros da liberdade. Foi uma das formas que eu encontrei, em parceria com a Joyce, a curadora, de expressar e levantar bandeiras de resistência através da pintura. Ainda mais sendo em uma instituição pública carioca, minha cidade natal, que segue ‘linda e opressora’, como disse Theusa [em referência à Matheusa Passareli]”, comenta Marcela.

O momento atual de acirramento das forças opressivas também será debatido no dia 29 de junho, das 14h às 18h, em uma roda de conversa acerca do tema “Arte e Resistência na América Latina em momentos de adversidade política”.

Marcela Cantuária responde através de sua poética a duros acontecimentos

recentes: a execução da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes; o assassinato de Matheusa Passareli; a Intervenção Federal no Rio de Janeiro; a quebra de regras constitucionais no julgamento do ex-presidente Lula e o jogo sujo das eleições de 2018.

A artista encadeia a presente conjuntura com as ditaduras militares latino-

americanas, para assim vislumbrar um futuro – uma primavera – de memória dos

mortos e condenação dos matadores e mandantes. Com curadoria da pesquisadora e historiadora da arte Joyce Delfim, a exposição “sutur|ar libert|ar” será aberta no dia 1º de junho de 2019, das 12h às 18h.


Abertura dia 1º de junho das 12h às 18h

De 3 de junho a 27 de julho de 2019

Segunda à sábado, das 12h às 18h

Entrada gratuita

Endereço: Rua Luís de Camões, Praça Tiradentes, 68

Em posições de dança A exposição “Em Posições de Dança” está pautada no cruzamento entre a performance, o vídeo, a fotografia, o objeto e a documentação, reunindo obras dos artistas luso-brasileiros Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey desenvolvidas entre 2017 e 2019.

Através de um conjunto de obras em que a noção de performatividade está impreterivelmente incutida, o corpo e a sua expansão por meio do indumento acabam por ser uma especulação central tanto nas criações de Paulo Aureliano da Mata como nas de Tales Frey, cujo resultado alcançado ora menciona a expressão da dança, ora a aciona (ainda que de maneira indireta). 

De um lado, Paulo utiliza um desenho – o qual corresponde a uma patente de 1892 de um indumento especial para ativar uma dança criada pela artista Loïe Fuller – para elaborar uma série de trabalhos apresentados por meio de vídeos e objetos, desdobrando uma fonte documental em um conjunto dessemelhante de obras que compõem uma série onírica, supondo o inconsciente da artista quando está também a expor o seu próprio. De outro, Tales Frey inventa indumentos escultóricos que obrigam diferentes corpos a se movimentarem quando são vestidos/acionados por participantes, aludindo a dança sem de fato criar por meio dela. 

Apresentar através das criações contemporâneas o alcance das proposições estéticas iniciadas por Hélio Oiticica e pelo conjunto de artistas de sua época é indubitavelmente coerente a um espaço que faz retumbar a sua obra e também o seu contexto. O elo estabelecido entre as criações de Paulo Aureliano da Mata e Tales Frey com os experimentos de Oiticica – que pressupõe uma ativa participação do público – é evidente, relacionando desde os “Parangolés” de Hélio até a exploração sensorial em obras de Lygia Clark e Lygia Pape, onde a performatividade está indiscutivelmente presente em composições que tangenciam a escultura por meio do corpo, fazendo despontar resoluções mais híbridas. 

Para além das relações com o artista que dá nome à instituição, aproximar corpos e subjetividades pode funcionar como um expressivo gesto político, propondo a partilha de uma experiência estética comum ao inserirmos as(os) visitantes como elementos fulcrais na maior parte das obras, atribuindo-lhes papel de participantes, criando uma analogia do viver em comunidade.  Programação Dia 01/06- Abertura da exposição “Em Posições de Dança”- Performance “Estar a Par”, de Tales Frey, com participação exclusiva de Paulo Aureliano da Mata, às 15h

Dia 20/06- Performance “Triunfo”, de Tales Frey, com participação exclusiva de Vitor Moraes, às 15h

Dia 21/06-  Conversa “Loïe Fuller - Artista Precursora da Cena Expandida” com a teórica Gabriela Lírio e exibição do filme “La Féerie des Ballets Fantastiques de Loïe Fuller” (1934) de George R. Busby, às 15h Abertura dia 1º de junho das 12h às 18h

De 3 de junho a 27 de julho de 2019

Segunda à sábado, das 12h às 18h

Entrada gratuita

Endereço: Rua Luís de Camões, Praça Tiradentes, 68

Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica

Rua Luis de Camões 68, Praça Tiradentes - Rio de Janeiro

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