Plataforma de Emergência 2018.2

Atualizado: 20 de Jul de 2018

Estão abertas as inscrições para o Plataforma de Emergência 2018.2

Para maiores informações acesse: bit.do/erE2o


Ementa das disciplinas:

Objetos Sedutores: Arte e Antropologia dos Fetiches

com Leonardo Bertolossi

Desejo por produtos de luxo; fissura em partes do corpo; devoção por santos, entidades e arquétipos redentores; taras em brinquedos sexuais; vontade de vestir e despir personagens inusitados e cotidianos; fixação em determinados objetos religiosos, sexuais, materiais... Existe alguma lógica comum a essas diferentes relações evocadas? Qual origem da sensualidade, da sedução e do poder provocados por determinados materiais? Quais magias e razões simbólicas mobilizam indivíduos de diferentes pertencimentos sociais em suas tramas rituais com seus objetos de desejo? Que imaginações, identificações, fantasias e permutas conferem agência e vida à materialidade das coisas inertes, de modo a mobilizar inscrições discursivas e interdições sociais, inversões simbólicas, marcadores sociais e identidades performatizadas? Como a antropologia e as artes visuais encaram o tema e o problema do desejo, do consumo e dos fetiches?


Esse curso pretende cruzar referências advindas do campo da antropologia social e das artes visuais para pensar diferentes fetichismos e consumismos de um ponto de vista teórico, etnográfico e artístico. Objetivo do curso é identificar a genealogia do conceito em sua matriz africana, sua consagração em De Brosses, Marx e em Freud, a crítica e associação posterior ao colonialismo e ao evolucionismo, e sua recuperação recente para pensar o consumo, o erotismo e a sexualidade contemporânea; a modernidade ocidental; e as relações entre natureza e cultura; sujeito e objeto; prazeres e poderes; e identidade e diferença.


EIXOS TEMÁTICOS:


1. História do Fetichismo

2. Fetichismo e Modernidade

3. Fetichismo, Materialidade, Coleções e Museus

4. Desfetichizando a África, a Natureza, os Trópicos e o Brasil

5. Outros Fetichismos “De Dentro”: Animismo, Xamanismo e Perspectivismo

6. Fetichismo, Consumismo e Mercado de Arte Contemporânea

7. Fetichismo, Erotismo e Sexualidades Dissidentes


Performance: Arte, Política, Vida

com Eleonora Fabião

Este curso teórico-prático é um espaço de investigação sobre a arte da performance onde relacionaremos teoria, historiografia e invenção. Leremos e discutiremos teoria da performance bem como textos de outras áreas que iluminem e expandam nossa reflexão; analisaremos arquivos, entrevistas e textos de artistas; realizaremos práticas psicofísicas e criaremos performances.


Metodologias Feministas das Artes: projetos de pesquisa e portfólio

com Dinah Oliveira e Daniele Machado

Sabemos que as pesquisas no campo dos Estudos de Gênero têm como um de seus resultados o entendimento dos sistemas culturais como determinantes de significado aos processos de subjetivação, ao mesmo tempo em que denuncia relações de poder exercidas em nome do gênero. Entendemos, com este campo de conhecimento, que as mulheres tiveram sua força epistemológica invisibilizada historicamente. Neste sentido, a disciplina desenvolverá um conjunto reflexivo a respeito do processo cognitivo, de seus efeitos e de suas produções, tendo em vista o estudo da metodologia artística por meio de uma abordagem de textos e procedimentos que exibem e tensionam certos paradigmas das pautas feministas.

O conjunto teórico dos textos, exclusivamente de autoria de mulheres, tem como objetivo apresentar elementos para elaboração de um pensamento que refaz as condições das existências contextuais em favor da experimentação, do engajamento das formas narrativas individuais e da ligação com as condições da vida político-social. A disciplina tem como objetivo geral a iniciação em metodologias artísticas e seus processos. O curso está dividido em três ciclos que finalizam com a apresentação de trabalhos individuais para a composição de portfólio. A disciplina será ministrada a partir de aulas expositivas e de discussões sobre textos teórico-críticos, da participação de artistas em suas perspectivas práticas e teórica, apresentação de vídeos, filmes, ou outros materiais necessários à disciplina.


Ciclo 1

Introdução a disciplina

Aula 1 – Apresentação da disciplina / Interesses de pesquisa dos estudantes

Aula 2 – O problema da representação

Texto: “Contra a interpretação” SONTAG, Susan. Contra a interpretação. Trad.: Ana Maria Capovilla. São Paulo: L&PM, 1987.

Aula 3 – O objeto

Texto: A fluidez da forma: arte, alteridade e agência em uma sociedade amazônica (Kaxinawa, Acre). Rio de Janeiro: Topbooks, 2007.

Aula 4 – Apresentação dos projetos de pesquisa

Aula 5 – Autobiografia

Texto: JESUS, Carolina Maria. O quarto do despejo – Diário de uma favelada. Rio de janeiro: Ática, 2018.

Aula 6 – Energia erótica e criação

Texto: “Transformação do silêncio em linguagem e ação” LORDE, Audre.– Dezembro de 2009, retirada do Zine “Textos escolhidos de Audre Lorde”, Difusão Herética: edições feministas e lésbicas independentes. Disponível em: https://apoiamutua.milharal.org/files/2014/01/AUDRE-LORDE-leitura.pdf.

Aula 7 – Trabalho 1


Ciclo 2

Aula 8 – Cartografia ou de como pensar com o corpo vibrátil + artista convidada: Gabriela Mureb

Texto: ROLNIK, Suely. Cartografia Sentimental, Transformações contemporâneas do desejo. São Paulo: Estação Liberdade, 1989.

Aula 9 – Narrativas entre o real e o virtual + artista convidada Aleta Valente

MONDZAIN, Marie-Jose. A imagem poder matar? Lisboa: Vega, 2009.

Aula 10 – Trabalho 2


Ciclo 3

Aula 11 – Por uma epistemologia autopoiética

Texto: KASTRUP, Virgínia. A cognição contemporânea e a aprendizagem inventiva. Em: KASTRUP, Virgínia. PASSOS, Eduardo. TEDESCO, Silvia. Políticas da cognição. Porto Alegre: Sulina, 2008.

Aula 12 – Experimentar o ensino

Texto: FATORELLI, Joanna. QUEIROZ, Tania. Cadernos EAV 2009: encontros com artistas. Anna Bella Geiger ... [et al.]. Rio de Janeiro: EAV, 2012.

Aula 13 – Trabalho 3 + Apresentação de portfólio

Aula 14 – Fragmentos

Aula 15 – Encerramento


BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:

- Caminhos para qualquer pesquisa ser feminista. Rio de Janeiro: Revista Desvio, vol. 2, dezembro, 2017.

- DAVIS, Ângela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

- BARROS, Roberta. Elogio ao toque: ou como falar de arte feminista à brasileira. Rio de Janeiro: Relacionarte, 2016.

- FEDERICI, Silvia. Calibã e a Bruxa: mulheres, corpos e acumulação primitiva. São Paulo: Editora Elefante, 2017.

- HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade. São Paulo, 2013.


Segredo de Si

com Elisa de Magalhães e Alexandre Sá

O curso tem como tema o segredo, abordado a partir da filosofia, da psicanálise e da arte contemporânea. Os dois professores dividiram o curso em três etapas: na primeira etapa, a professora Elisa de Magalhães abordará o tema, a partir de leituras de Jacques Derrida, relacionando com obras de arte nos mais diversos meios. Ao final dessa etapa, o alunos apresentarão trabalhos práticos em seminário, com a presença do segundo professor, Alexandre Sá. Começa a segunda etapa do curso, com 4 aulas, nas quais Alexandre abordará o tema, a partir da psicanálise e da filosofia de Michel Foucault, relacionando com obras de arte nos mais diversos meios. Ao final do período, os alunos apresentarão trabalhos práticos em seminário, com a presença dos dois professores. Na quarta etapa do curso, os professores abordarão o tema juntos, relacionando as duas partes do curso e cruzando outras referências. Ao final será estimulado o desenvolvimento de trabalhos práticos, tornando-se, o curso, um lugar de discussão de trabalhos e de vivência da problemática contemporânea, desde a temática do segredo.


Tempo e Espaço: Suas Representações e Normas Culturais

com Isabela Frade

As categorias tempo e espaço são regularmente vivenciadas de modo naturalizado, isto é, tomadas como dimensões reais da existência e não percebidas em seu contingenciamento nas conjunturas dispostas em seus meios culturais, sendo apenas relativizadas em termos de singularidades criativas, onde, por princípio, apenas indivíduos rompem com o senso de realidade: quando sujeitos, excepcionalmente, instauram novos modos de ser/estar no mundo. Ao apresentar determinados elementos de dimensionamento espaço/temporais produzidos em distintos nichos culturais, a disciplina busca promover a reflexão sobre suas dinâmicas criativas, individuais ou coletivas, onde a arte, a arquitetura, a filosofia e a antropologia se entremeiam como vias de acesso a esses procedimentos e seus dispositivos, observando suas operações sobre a linguagem em suas performatividades poéticas, quando constituem formas de presença significativa. O objetivo é ampliar entendimento da produção social das condicionantes de tempo e espaço, explorando suas complexidades.


Programa:

1.O tempo/espaço e suas medidas: englobamentos e simetrias;

2. Os sentidos e suas complexidades;

3. Devires e suas alianças: a produção do incomum;

4. Antropografias do Futuro;

5. Movimento e Conhecimento: processos sociais de produção do espaço;

6. Imagens temporais;

7. A receita, a prescrição e o experimento: aspectos da ordem social;

8. Espaços de entrar e sair: o entre-mundos;

9. Ecologias da Arte: poéticas somático-telúricas;

10.Tempos extremos: o suicídio cultural.

11. Cosmologias do capitalismo: setores de trocas econômica e intercâmbios culturais;

12. O novo e o velho: porosidades x resistências;

13. A Especificidade do Lugar: comunidades de sentido;


Bibliografia de Referência:

- CASTRO, Manuel Antônio de. Arte: Corpo, Mundo, Terra. Rio de Janeiro: 7Letras, 2009.

- CROSSMAN, Sylvie; BAROU, Jean-Pierre. Saberes Indígenas – estudios. Castellón: Ellago Ediciones, 2007.

- DEMOS, T. J. Decolonizing Nature – Contemporary Art and the Politics of Ecology. Berlin: Stemberg Press, 2016.

- DESCOLA, Philippe. Más allá de naturaleza y cultura. Buenos Aires: Amorrutu, 2012.

- FERRETTI, Sérgio. Repensando o Sincretismo. São Paulo: EDUSP, 2013.

- GELL, Alfred. A Antropologia do Tempo. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.

- GOODY, Jack. A Domesticação da Mente Selvagem. Petrópolis: Editora Vozes, 2012.

- KWON, Miwon. One Place After Another – site-specific art and location identity. Cambridge: The MIT Press, 2002.

- INGOLD, Tim. Being Alive – essays on movement, knowledge and description. London: Routledge, 2011.

- ROLNIK, Raquel. Guerra dos Lugares. São Paulo: Boitempo, 2015.

- SAHLINS, Marshall. Cultura na Prática. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2007.

- STOLLER, Paul. The Power of the Betwenn. Chicago: The University of Chicago Press, 2009.

- TADDEI, Renzo. Meteorologistas e Profetas da Chuva – conhecimento, práticas e políticas de atmosfera. São Paulo: - - Terceiro Nome, 2017.

- VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. São Paulo: Metafísicas Canibais Cosacnaify, 2015.


Estética e Política da Multidão

com Barbara Szaniecki e Giuseppe Cocco

AULA 1. RESISTÊNCIA E CRIAÇÃO

O modulo abordará as lutas nas universidades e fábricas, contra os manicômios e os movimentos pelos direitos civis nos anos 60/70 e, neste contexto, serão apresentados conceitos como disciplina e controle, biopoder e biopolítica, Autonomia, auto-organização e autovalorização entre outros.

AUTORES:

Gilles Deleuze e Felix Guattari; Michel Foucault

IMAGENS:

Cartazes de maio de 68 na Europa e nos EUA; Pasolini na Itália, Glauber Rocha e Hélio Oiticica no Brasil.


AULA 2. BIOPODER E LUTAS NA AMÉRICA LATINA

O modulo abordará o evento de Seattle 1999 e o ciclo global de lutas contra as instituições e corporações internacionais na mudança de século e, para apreender este contexto, serão apresentados conceitos como Império, Multidão, Biopolítica além das carnavalizações como resistência estética à precarização da vida.

AUTORES:

Antonio Negri e Giuseppe Cocco. Michel Foucault. Mikhail Bakhtin.

IMAGENS:

Cartazes contra a Guerra do Iraque (2003); carnavalizações contra o capitalismo; Prêt-à précaire e San Precário/Serpica Naro (desfile de moda e de vidas precárias, Europa e Brasil). Estética-política dos camelôs (Opavivará e outros).


AULA 3. MOBILIDADE E MOBILIZAÇÃO: JUNHO 2013

O módulo abordará o ciclo de lutas que se abriu com a Primavera Árabe, prosseguiu com as Acampadas Espanholas, Occupy Wall Street e se encerrou com Junho de 2013 no Brasil. As lutas, algumas sob a forma de “ocupas”, se articulam a nível global, ao mesmo tempo mantém suas características locais com ênfase nas questões da vida urbana cotidiana como moradia, trabalho e transporte.

AUTORES:

Barbara Szaniecki, Bruno Cava e Giuseppe Cocco; Georges Didi-Huberman

IMAGENS:

Outros Monstros Possíveis; Amar é a Maré Amarildo; Coletivos Projetação, Seus Putos e Vô Pixá Pelada entre outros. As fotos de Katja Schiliró.


AULA 4. MUNDOBRAZ: MULTIDÃO E MONSTROS

Para além do evento de 2013 e seus desdobramentos nos anos seguintes, persistem resistências às novas formas de exploração. O capitalismo contemporâneo extrai valor do conhecimento e da criatividade, uma capturando não apenas o produto final (o mel) como sobretudo os processos (a polinização). Faz-se necessária resistência e criação, com mais participação, sem pacificação. Com arte e design.

AUTORES:

Barbara Szaniecki, e Giuseppe Cocco; Luiz Camillo Osório; Ricardo Basbaum

IMAGENS:

A Luta dos Garis: seja Gari, seja herói. Helio Oiticica; Ricardo Basbaum.




Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica

Rua Luis de Camões 68, Praça Tiradentes - Rio de Janeiro

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