Programação / 1° de setembro de 2018

No primeiro dia de setembro o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica abre cinco exposições em concomitância com mais uma edição da Tiradentes Cultural.


18’ Linhas Provisórias Exposição Permanente - 2° abertura

Como democratizar as relações entre público e instituição pública de arte? Não há um manual, apesar de ser um compromisso para o CMAHO. A abertura encerra um ciclo iniciado em março deste ano quando o espaço estava completamente vazio e que colocou em disputa os modos de fazer memória institucional, onde todo o processo de montagem e elaboração da exposição e dos trabalhos dos artistas que foram convidados para dialogar com a trajetória do espaço, que esteve aberto à participação do público. Os trabalhos dos artistas tem ênfase no processo dos meses que antecederam a sua finalização. Analu Zimmer investiga relações cartográficas do prédio do CMAHO e da região da Praça Tiradentes, utilizando como ferramenta um mimeógrafo, explorando sobreposições e traçando caminhos em deriva a partir do delírio ambulatório de Hélio Oiticica. Antonio Gonzaga Amador pesquisa as relações entre o CMAHO, o Saara e a Praça Tiradentes, o cotidiano comum que é atravessado pelas divertidas e insistentes propagandas da Rádio Saara, os velhos e novos hábitos forjando escritos de João do Rio a partir da atualidade e as cenas que são marcantes na nova paisagem através de falsos vitrais. Nicolle Crys recolheu ao longo desse período pedaços de coisas abandonadas na região, onde o comércio popular produz grande quantidade de lixo com embalagens e restos de produtos do grande mercado. Seu trabalho é uma instalação que explora as possibilidades em torno da representação que não idealiza a beleza da gentrificação. Por fim, temos o artista Rodrigo Pinheiro cujo trabalho é um alargamento entre o real e a ficção, manipulando as relações entre memória e tempo a partir da obra permanente de Richard Serra no CMAHO, uma vídeo arte que apresenta o trajeto percorrido pelo artista em um túnel onde abandonou objetos doados pelo público. A curadoria é de Daniele Machado.

Térreo. Visitação: 01.09 a 02.02.19


Copy Art/ Xerox Art - 80 anos, Coleção Baudot

Com curadoria de Alexandre Murucci, celebra a Copy-Art, um movimento artístico mundial, criado por pioneiros nos anos 60 e que tornou-se global nos anos 80, continuando na era digital. A celebração, que acontece também em várias cidades do mundo, é liderada pelo colecionador internacional Jean-Claude Baudot.A mostra conta com 300 obras de artistas brasileiros, como Anna Bella Geiger, Paulo Bruscky, Hudinilson Jr., Josias Benedicto, Tiago Duarte, Tadeusz Zielowski, e também de artistas internacionais. A Copy-Art, que também pode ser chamada Xerox-Arte, Electrostática-Arte, Xerografia, Copiografia ou Arte electrográfica. Compartilhar essas obras impressionantes que subitamente se tornaram meios de produção acessíveis a um público de massa, deu voz ao descontentamento e irreverência dos artistas.

Galerias 3, 4 e 5. Visitação: 01.09 a 20.10.18


Hip Hop: culturas de rua, memórias, políticas

O Hip Hop é conhecido mundialmente por ter sido criado nos anos 1970 em Nova York, em locais que reuniam comunidades originárias da América Latina, África e Jamaica. Uma década depois foi absorvido no Brasil por jovens da periferia que passaram a sair cada vez de seus bairros para espalhar a batida do DJ, a dança de rua, o graffiti/pixação e o rap por toda a cidade. Hip Hop e a marginalidade, é a marginalidade, assim foi a concepção do restante da cidade a eles. Hoje, apesar da origem periférica, o Hip Hop é consumido por todas as classes econômicas. Os rappers famosos tocam nas caixas de som dos bairros ricos, que convidam graffiteiros para embelezar as fachadas dos prédios. Nesse meio tempo muita memória se perdeu. A exposição apresenta a trajetória de quatro pessoas como possibilidades de fazer memória do Hip Hop e de debater sua atualidade. A graffiteira pernambucana radicada atualmente em São Paulo Gabi Bruce, representando a Baixada Fluminense temos a produtora cultural Giordana Moreira e o cineasta Marcio Graffiti e da Zona Oeste o ambulante cultural Mv Hemp. Esse movimento único vai muito além das roupas largas, da pixação que desafia as alturas e a criminalização, realizando encontros e afirmando a periferia das cidades. Serão Serão exibidos mais de 150 trabalhos entre cadernos de pixação, fotografias, vídeos, instalação sonora e documentos. A curadoria é de Daniele Machado.

Galeria 7. Visitação: 01.09 a 20.10.18


AFRICANIZZE performática

A exposição é sobre como as invasões descolonizadoras deformaram a Performance Arte em seu percurso repleto de novos corpos protagonistas. Corpos alvo dos processos colonizadores que, apropriando-se das ferramentas ulteriormente utilizadas em sua dominação, tornam-se poderosas armas na recondução de olhares sobre o processo de formação identitária contemporânea. A mostra, que mistura performances, reúne dez artistas que possuem um trabalho em Performance Arte que deformam seus limites através de pesquisas que desviam dos sistemas gerais da Arte por elementos como: Vivência, Negritude, Lugar de Fala, Mulherismos e Feminismos, das Revoluções Sexuais e de Gênero. Trabalhos que apresentam como intelectuais negros impactam em seu conhecimento e processos artísticos. Os artistas são: Helen Nzinga, Nelson Aleida, André Vargas, Geancarlos Barbosa, Ismael David, Rafa Ferreira, Uhura Bqueer, Victor Oliveira, Odaraya Mello, Rastros de Diógenes. A curadoria é de Candé Costa e Silvana Marcelina. A abertura da mostra contará com cinco performances: 'Senhor dos Caminhos', com Ismael David (15h); Rafa Ferreira (16h); 'Dona Benta', com Nelson Almeida (17h); Uhura-Rainha da Libertação, com Uhura BQueer (18h) e com Helen Nzinga (19h). RECOMENDADA PARA MAIORES DE 18 ANOS

Galeria 8. Visitação: 01.09 a 20.10.18


Impróprio

Com obras de João Paulo Racy e curadoria de Leno Veras, a mostra tem como base material inédito resultante da vasta pesquisa realizada pelo artista nos territórios cariocas afetados pelas políticas de desapropriação no período que antecedeu a realização do jogos olímpicos, em 2016. A mostra possui impressões em lambe-lambe, aplicadas em em tapumes de mdf, com o intuito de aproximar a instalação desses cenários do entorno, à luz da precariedade como linguagem. As imagens que Racy amplia em grande formato no último andar do edifício histórico do CMAHO são documentos visuais que portam temporalidades em transe, por meio das quais retrata o que sobrou das habitações destruídas pelo poder público logo após seus desmontes.

Galeria 6. Visitação: 01.09 a 20.10.18


Em cartaz - Junho de 2013: 5 anos depois

Exposição coletiva retrospectiva da produção artística e crítica após as manifestações de junho de 2013.Diante a atual conjuntura política do país, cabe nos perguntarmos: O que sobrou depois de “2013”? Assim como, o que resta de “2013” nos dias de hoje? Apesar de recente, esse ano provoca ecos, os quais repercutem no dia a dia de todos os brasileiros. Ainda é cedo para uma crítica madura, temos um processo ainda aberto, com muito ainda por ocorrer. Se propõe então um recorte sobre esse legado, a da produção crítica, visual e artística dos últimos cinco anos que sucederam o mês de junho de 2013. Artistas: Ana Hortides, Aline Couri, Cianogaster Noctivaga, Clara Ianni, Daniel Murgel, Davi Marcos, Gustavo Speridião, Lula Wanderley, entre outros. Coordenação Geral e Curadoria: Daniele Machado e Gabriela Lúcio. Co-curadoria: João Paulo Ovídio, Thatiana Napolitano, Letícia Guerra, Camila Vieira, Thiago Fernandes e Marcela Tavares. Encerra 01.09



Serviço: Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica: Rua Luís de Camões, 68, Centro - RJ Telefone: +55 (21) 2242 1012

Programação gratuita

Abertura de todas as mostras: dia 1º de setembro, sábado, a partir das 15h. Funcionamento e visitação das exposições: de segunda a sábado, das 12h às 18h. Fechado aos domingos e feriados.

Email: cmaho.cultura@gmail.com Facebook: facebook.com/cma.heliooiticica

Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica

Rua Luis de Camões 68, Praça Tiradentes - Rio de Janeiro

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